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sábado, 15 de outubro de 2011

MADRUGADAS...


Por vezes, a preguiça do Sol cobria a planície de brumas e silêncio. Mas Rajid, que despertava, todas as manhãs, com o lamento de um melro, o qual fazia ninho entre os ramos de uma bela acácia, partia para a sua habitual digressão, apesar da penumbra.

Uma brisa delicada embalava as flores e as ervas da planície, ainda meio adormecida, e Rajid trotava com cuidado, não fosse despertá-las.

Porém, quase sempre, aquele silêncio era bruscamente interrompido pelo alvoroço do bater de asas e do cantar de um bando de pássaros azuis que vinha saudar a manhã.

A eles juntava-se o burburinho das águas, a sinfonia da folhagem e o relincho terno de Rajid. O Sol fazia dissipar, então, as brumas que o envolviam e descobria-se, fulgurante, enchendo de uma luz radiosa a paisagem.

A Natureza despertava do seu sono nocturno e tudo à sua volta se transformava, como que por magia.

Assim eram as madrugadas de Rajid...


in «História de um Cavalo Selvagem» © Josefina Maller (por publicar)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MADRUGADAS...



Por vezes, a preguiça do Sol cobria a planície de brumas e silêncio. Porém, Rajid, que despertava todas as manhãs com o lamento de um melro, o qual fazia ninho entre os ramos de uma bela acácia, partia para a sua habitual digressão, apesar da penumbra.


Uma brisa delicada embalava as flores e as ervas da planície, ainda meio adormecida, e Rajid trotava com cuidado, não fosse despertá-las.

Porém, quase sempre, aquele silêncio era bruscamente interrompido pelo alvoroço do bater de asas e do cantar de um bando de pássaros azuis que vinha saudar a manhã.

A eles juntava-se o burburinho das águas, a sinfonia da folhagem e o relincho terno de Rajid. O Sol fazia dissipar então as brumas que o envolviam e descobria-se, radiante, enchendo de uma luz radiosa a paisagem.

A Natureza despertava do seu sono nocturno e tudo à sua volta se transformava, como que por magia.

Eram assim as madrugadas de Rajid, o cavalo selvagem.


in «História de um Cavalo Selvagem» © Josefina Maller (a aguardar publicação)

quinta-feira, 11 de março de 2010

SONATA EM FUGA...



Fujo do vento
que fustiga a minha melodia
ainda inacabada.

Fujo do tempo e
das madrugadas
do meu desencanto.

Fujo da cotovia
cujo canto enfeitiça
o meu querer.

Fujo das vozes
que no meu ser
gritam o desespero.

Fujo da noite
que me envolve em sonhos
impossíveis de sonhar.

Fujo de mim
morrendo lentamente
desde o dia em que deixei
o cálido ventre de minha mãe...

...

Ó vento, segue o teu rumo
e deixa-me a sós com a minha melodia!

Ó tempo, pára por um instante
e devolve-me as madrugadas que foram minhas!

Ó cotovia, liberta-me do teu canto
e quebra o feitiço que a ti me prende!

Ó vozes, parai de gritar
para que eu ouça apenas o meu silêncio!

Ó noite, adormece-me em ti
ou então deixa-me partir,
porque perdi o momento de existir
e preciso de voltar ao cálido ventre de minha mãe...