© Todos os direitos reservados

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A INVENÇÃO DO HOMEM...


«No começo do Génesis está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro que o Génesis foi escrito por um homem, e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo.» 
 Milan Kundera

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CRÍTICA À «HORA DO LOBO»


Bom dia, Josefina. Acabei, aqui na pacatez de Penacova, de ler a sua «Hora do Lobo». Pedia-me as minhas impressões.

Primeira impressão:
Gostei, a sua escrita é muito forte, empolgante, densa, com uma seleção de palavras riquíssima. As suas adjectivações, duplas, triplas, são surpreendentes e certeiras. Aparecem de repente comparações e metáforas muito interessantes. As suas descrições de ambientes, os jardins, os desertos, até os vazios são muito sugestivos, realistas e cativantes.

Segunda impressão:
O seu retrato do mundo é terrível, por vezes tristíssimo, por vezes muito cínico, sempre crítico. Um pouco maniqueista. O domínio do Homoparvus sobre a Humanidade é aterrador. Mas de certo modo estou de acordo.

Terceira impressão, a mais importante e difícil de transmitir:
Oskar Kapriolo, a sua fábula (eu diria Alegoria, talvez), a sua mundividência e o seu dilema perante o arbusto-do-lobo. Confesso que não compreendi muito bem a opção final dele. Mas depreendo que a escritora o fez de propósito para deixar a narrativa aberta e a decisão como que passar para a consciência do próprio leitor, não será?
Gostei muito do livro.

António Manuel Castanheira

***
António, agradeço a amabilidade que teve ao enviar-me as suas impressões, pois são sempre importantíssimas para a evolução de um autor.

«A Hora do Lobo» é um livro de intervenção social, um livro para agitar as consciências adormecidas, como tal, e devido ao caos em que se encontra o mundo, pretendi acentuar o lado negro, comum aos povos dominados pelo Homoparvus, e também pelo mesmo motivo, deixei o final da narrativa aberto à decisão dos leitores. Cada um terá a sua própria ideia.

Afinal, qual teria sido a decisão de Oskar? Será exactamente aquela que o leitor teria, se estivesse no lugar da personagem. É essa interactividade que proponho.

Obrigada, António.

A SAGA DAS PEQUENAS FLORES...


Todas as manhãs, ao fazer a minha caminhada, encontro-me com umas pequenas flores, que brotaram entre pedrinhas, junto a penedos que impedem as águas do mar de invadirem a terra.
Tão frágeis, aquelas florzinhas! Tão belas!

Cativou-me a singeleza delas.

Fotografei-as, para não se perderem de mim.
...

Hoje, ao passar no mesmo lugar,

já lá não estavam as flores singelas,
de um jardim que inventei  só para elas.

Arrancaram-nas, como se arranca uma erva daninha.
Mas não foi em vão a vida delas.

Eu amei-as.
Eu fotografei-as.

E vivem agora na minha recordação...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PLANTA O TEU JARDIM...


O tempo é algo que não volta atrás.
Por isso planta o teu jardim e decora a tua alma,
Ao invés de esperar que alguém te traga flores... 
William Shakespeare