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quarta-feira, 30 de abril de 2014

A POBREZA DE ESPÍRITO É A VERDADEIRA POBREZA

  
 
Um homem pobre perguntou a Buda:

- Por que sou tão pobre?

Buda respondeu:

- Tu não aprendeste a dar.

 Então o homem pobre disse:

- Mas se eu nada tenho!...

Buda replicou:

 - Tu tens algumas coisas. Tens um rosto que pode dar um sorriso; uma boca para confortar os outros; um coração que pode abrir-se para os outros; olhos que podem olhar o outro com bondade; um corpo que pode ser usado para ajudar os outros; como vês, não és assim tão pobre. A pobreza de espírito é a verdadeira pobreza.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O GATO E A ESPIRITUALIDADE

 
 


Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não gosta do gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério.

O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E defende-se do afago.

A relação dele é com o que está oculto, guardado, e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um acto de entrega, de subida no colo ou manifestação de afecto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente do que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se.

Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele comunica códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma oportunidade de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.

O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.

O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afecto verdadeiro e fiel. As suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Os conflituosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.

Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a acção imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) aquecendo-se para entrar em campo.

O gato sai do sono para o máximo de acção, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contacto com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.

O gato é uma oportunidade de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem. O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa – normalmente onde o gato se deita com frequência, significa que não tem boa energia –  caso o animal comece a deitar-se em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o gato já percebeu a má energia   no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar essa energia que ali existe.

Observe-se que do mesmo jeito que o gato se deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele. O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele afasta-se.

No Egipto dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos.

"O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até ao seu repouso final."

 Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausman
(Uipa Sp)

quarta-feira, 26 de março de 2014

ÁRVORE, CUJO POMO, BELO E BRANDO…

 


 Árvore, cujo pomo, belo e brando,

 natureza de leite e sangue pinta,

 onde a pureza, de vergonha tinta,

 está virgíneas faces imitando;

 

 Nunca da ira e do vento, que arrancando

 os troncos vão, o teu injúria sinta;

 nem por malícia de ar te seja extinta

 a cor, que está teu fruito debuxando.

 

 Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo

 a meu contentamento, e favoreces

 com teu suave cheiro minha glória,

 

 Se não te celebrar como mereces,

 cantando-te, sequer farei contigo

 doce, nos casos tristes, a memória.

Luís Vaz de Camões

Foto © JOSEFINA MALLER

sábado, 22 de março de 2014

O VELHO SÁBIO CHINÊS

 


Há muito tempo, uma menina chinesa chamada Lili casou-se e foi viver com o marido e a sogra. Depois de alguns dias, começou a não se entender com a sogra. As personalidades de ambas eram muito diferentes uma da outra e Lili foi-se irritando com os hábitos da sogra, a qual frequentemente a criticava.

Passaram-se meses e Lili e a sogra discutiam e embirravam cada vez mais. De acordo com a antiga tradição chinesa, a nora tinha que se curvar à sogra e obedecer-lhe em tudo. Lili, já não suportando mais viver nesta situação, decidiu visitar um amigo do seu pai, um velho sábio.

Depois de ouvi-la, ele pegou num pacote de ervas e disse-lhe:

- Vou dar-te várias ervas que irão lentamente envenenar a tua sogra. A cada dois dias põe um pouco destas ervas na comida dela. Mas, para haver a certeza de que ninguém suspeitará de ti quando ela morrer, tu deves ter muito cuidado e agir de forma muito amigável.

Lili ficou muito contente, agradeceu ao sábio e voltou apressada para casa para começar o projecto de matar a sogra. Passaram-se semanas e a cada dois dias Lili servia a comida "especialmente tratada" à sogra.

Ela lembrava-se sempre do que o velho sábio lhe tinha recomendado sobre evitar suspeitas e assim controlou o seu temperamento, obedeceu à sogra e tratou-a como se fosse a sua própria mãe.

Depois de seis meses, toda a casa estava mudada. Lili tinha controlado o seu temperamento e quase nunca se aborrecia.

Nesses seis meses, não tinha tido nenhuma discussão com a sogra, que agora parecia muito mais amável e mais fácil de se lidar. As atitudes da sogra também mudaram e elas passaram a tratar-se como mãe e filha.

Um dia, Lili foi novamente procurar o Sr. Huang para lhe pedir ajuda e disse:

- Querido Sr. Huang, por favor, ajude-me a evitar que o veneno mate a minha sogra! Ela transformou-se numa mulher agradável e eu amo-a como se ela fosse a minha mãe e não quero que ela morra por causa do veneno que eu lhe dei.

O Sr. Huang sorriu e acenando com a cabeça, disse:

- Lili, não precisas preocupar-te. As ervas que eu te dei não eram venenosas mas sim vitaminas especialmente preparadas para melhorar a saúde dela. O veneno estava na tua mente e na tua atitude, mas foi deitado fora e substituído pelo amor que tu lhe passaste a dar a ela.

quarta-feira, 5 de março de 2014

ODE AO GATO

 

Tu e eu temos de permeio
 a rebeldia que desassossega,
 a matéria compulsiva dos sentidos.
 Que ninguém nos dome,
 que ninguém tente
 reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
 pois nós temos fôlegos largos
 de vento e de névoa
 para de novo nos erguermos
 e, sobre o desconsolo dos escombros,
 formarmos o salto
 que leva à glória ou à morte,
 conforme a harmonia dos astros
 e a regra elementar do destino.
José Jorge Letria,
in "Animália Odes aos Bichos"

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O ESCORPIÃO

 

Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava a afogar-se e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião picou-o.

Pela reacção de dor, o mestre soltou-o e o animal caiu de novo à água e estava a afogar-se de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou. Alguém que estava a observar, aproximou-se do mestre e disse-lhe:

— Desculpe-me, mas o senhor é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?

 O mestre respondeu:

— A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.

 Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou a vida dele.

Não mude a sua natureza se alguém lhe faz algum mal; apenas tome precauções. 
Alguns perseguem a felicidade, outros criam-na. Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque a sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de si.
E o que os outros pensam, não é problema nosso... é problema deles...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

SÃO BREVES AS ÁGUAS QUE CANTAM

 


São breves as águas que cantam
 não vês como vai escurecendo?
 escuta-me
 compadece-te
 que o tempo não perdoa
 e as rosas não duram para sempre
 vem meu amor e meu amigo
 que ainda é tempo de semear estrelas
 comungar da combustão dos astros
 rasgar a bruma
 tocar o horizonte
 não negues a saudade que é tua
 nem a brisa que te afaga o rosto
 abraça a luz de todas as manhãs
 que o dia não nasce sem razão
 liberta-te da erosão das pedras
 juntos chegaremos às tardes frias de Dezembro
 
 escuta-me
 o mar ainda nos espera.
(Clara M Barata)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A HUMANIDADE TEM DE SER A VOZ DELES…

 


Os outros animais não têm voz.
Eles não podem pedir ajuda.
Não podem exigir liberdade.
Não podem suplicar protecção.
A Humanidade tem de ser a voz deles.
(Anthony Douglas William – Inside the Divine Pattern

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A PAIXÃO GREGA

 



Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,

 quando alguém morria perguntavam apenas:

 tinha paixão?

 Quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:

 se tinha paixão pelas coisas gerais,

 água,

 música,

 pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,

 pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,

 paixão pela paixão,

 tinha?

 E então indago de mim se eu próprio tenho paixão,

 se posso morrer gregamente,

 que paixão?

 Os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,

 os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,

 homens e mulheres perdem a aura

 na usura,

 na política,

 no comércio,

 na indústria,

 dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,

 trémulos objectos entrando e saindo

 dos dez tão poucos dedos para tantos

 objectos do mundo

 e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,

 pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,

 e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,

 palavra soprada a que forno com que fôlego,

 que alguém perguntasse: tinha paixão?

 Afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,

 ponham muito alto a música e que eu dance,

 fluido, infindável,

 apanhado por toda a luz antiga e moderna,

 os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão

 e eu me perdesse nela

 a paixão grega…
 
Herberto Helder

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A MINHA ALMA DE LOBO

 
 

Soubessem eles o verdadeiro poder e significado dos Lobos...

No Xamanismo, o Lobo é o mais fiel dos guias animais, é o arquétipo de professor da tribo, encorajando-nos a enfrentar novas ideias e projectos.

O Lobo é um explorador de rotas, precursor de novas ideias que volta para o seu clã para ensinar e compartilhar o que aprendeu. O senso do Lobo é muito aguçado e a Lua é sua aliada de força.

A Lua é símbolo da energia psíquica ou o inconsciente que segura os segredos do conhecimento e da sabedoria. Banhando-se na Lua pode indicar o desejo do Lobo para ligar ideias novas que estão debaixo da superfície da consciência.

A medicina do Lobo permite o professor dentro de nós todos aparecer e ajudar os filhos da Terra a compreender o grande mistério da vida. Amor, relacionamentos saudáveis, fidelidade, generosidade, ensinamento.

O Lobo simboliza inteligência, sabedoria e cura, ele partilha a sua energia com os demais.

O Lobo quando encontra e escolhe uma parceira geralmente é para o resto da vida, é ligado à família, embora mantenha um carácter individualista e solitário. A energia desse animal nos ensina a buscar a nossa verdadeira matilha, o nosso clã, família ou escolher um(a) companheiro(a) que possa acompanhar esse novo ciclo.

Mas também importa, acima de tudo, isolar-se de forma que possa escutar a sua voz interior. Podendo ser um isolamento em algum Lugar de Poder, ou se não for possível esse isolamento, busca pelos ensinamentos sagrados, nos quais acredita que a sua voz interior possa vir a manifestar-se com clareza.

Busca a sua intuição. Com certeza, se há algum impasse, ao invocar a energia do Lobo como Animal Sagrado, o xamã será impelido a aprender com a sua própria sabedoria, ou com a sabedoria ancestral.

Aprender a ouvir a sua própria intuição e voz interior.

Só uma curiosidade, para que saibam o que ele significa para nós.
(Patrícia Miranda)