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quinta-feira, 11 de março de 2010
SONATA EM FUGA...
Fujo do vento
que fustiga a minha melodia
ainda inacabada.
Fujo do tempo e
das madrugadas
do meu desencanto.
Fujo da cotovia
cujo canto enfeitiça
o meu querer.
Fujo das vozes
que no meu ser
gritam o desespero.
Fujo da noite
que me envolve em sonhos
impossíveis de sonhar.
Fujo de mim
morrendo lentamente
desde o dia em que deixei
o cálido ventre de minha mãe...
...
Ó vento, segue o teu rumo
e deixa-me a sós com a minha melodia!
Ó tempo, pára por um instante
e devolve-me as madrugadas que foram minhas!
Ó cotovia, liberta-me do teu canto
e quebra o feitiço que a ti me prende!
Ó vozes, parai de gritar
para que eu ouça apenas o meu silêncio!
Ó noite, adormece-me em ti
ou então deixa-me partir,
porque perdi o momento de existir
e preciso de voltar ao cálido ventre de minha mãe...
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