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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ENTRE A FOLHAGEM, O MISTÉRIO...



Ouço o murmúrio da folhagem
que me traz boas novas

de secretos lugares que existem

algures no Universo...


Pressinto a voz que ventaneia
mundos harmoniosos,

onde todos os seres
sorvem o consolo das águas,

a melodia dos ventos,
e a força de uma lucidez eterna...


Sinto o mistério que se oculta

entre a folhagem...  

Sigo os caminhos enigmáticos
traçados pela luz que me traz o Sol...

E lá...
naquele infinito que os meus olhos alcançam,

as aves cantam um cântico sereno
que me inebria de Paz...

© Josefina Maller
 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SORRINDO AO ENTARDECER...



As águas fugiam do meu ser

e sozinha fiquei

na margem do rio
sorrindo

ao entardecer...



       Josefina Maller

terça-feira, 2 de novembro de 2010

NOTAS PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A INTERFERÊNCIA DO HOMEM NA VIDA DO PLANETA




NOTA PRIMEIRA


Depois de criado o Céu, e de separadas as águas da terra, e de a luz ter alternado com as trevas, e de as estrelas iluminarem o firmamento, e de o Sol e de a Lua distinguirem os dias das noites, vieram as plantas de todas as espécies, desde os mais frondosos embondeiros, à mais pequenina e frágil flor da planície, e nasceram então os verdes prados e os silenciosos bosques.

Vieram depois os animais marinhos, igualmente de todas as espécies, e coloriram as profundezas do mar.

Vieram as aves, aladas, e dominaram as alturas. Vieram todos os animais terrestres, desde os mais fortes, às mais delicadas borboletas.

E só depois de todas as criaturas terem experimentado, por uns breves tempos, uma vivência pacífica, num paraíso feito de harmoniosa beleza, surgiu, por fim, o homem, que não veio só. Com ele veio também aquela que, dali em diante, daria vida à vida – a mulher.

E este foi o início do caos.

© Josefina Maller

Origem da foto: http://www.meupapeldeparedegratis.net/fantasy/pages/lost-paradise.asp

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O CAMINHO...




Não sou pedra

Não sou flor

Nem água

Nem rio...



Não sou árvore

Não sou lago

Nem folha caída

Nem orvalho...



Não sou estrela

Não sou luar

Nem chuva

Nem Sol...



Não sou...!



Mas tenho um caminho

Onde há pedras, flores, águas e rios...

Árvores, lagos, folhas caídas e orvalho...

Estrelas, luar, a chuva e o Sol...



E tenho o vento que me leva

Até àquele infinito

Lá, naquele além,

Onde tudo termina

Para recomeçar...



Texto e fotografia © Josefina Maller

sexta-feira, 21 de maio de 2010

PINGO D’ÁGUA...



Sombria vai a noite...


E aquele pingo d’água

ilumina os versos

que a folhagem sussurra

debruçada sobre

o pequeno abismo que a

separa do riacho

de águas mansas

que se afastam,

silenciosas,

para não despertarem

as estrelas...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O BANHO ESQUIVO DA LUA...



A noite veio e o mundo adormeceu.


Então a Lua, despiu os seus véus de prata e mergulhou nas águas do rio, enquanto as sombras ocultavam a sua nudez, de luminoso mármore branco.

Os pirilampos apagaram os seus lumes, e todos os seres noctívagos recolheram-se nos ramos mais altos das árvores. Nas margens.

Os peixes refugiaram-se nas grutas rochosas, lá nas profundezas das águas do rio.

O silêncio era quase absoluto. Nenhum ser ousava feri-lo.

Ouviam-se apenas uns suspiros. Uns lânguidos suspiros.

Era a Lua que suspirava, do prazer intenso, que cada mergulho lhe proporcionava. Por vezes, deixava-se afundar, e seguia o curso das águas, que passavam vagarosas, sem urgência...

A Estrela do Pastor estava vigilante. Nada poderia perturbar o banho da Lua, que se prolongou até ao amanhecer.

Quando o Sol começou a despontar, a Estrela enviou um dos seus raios luminosos, anunciando à Lua o despertar do mundo.

Então a Lua vestiu os seus delicados véus de prata, e lançou-se num voo gracioso até aos confins do Universo, deixando pelo caminho pequenas gotas de água, que logo se transformaram em estrelas.

E, no rio, ficou um rasto luminoso, que tornou as águas mais límpidas e misteriosas.









A partir de então, quando a noite chega, ouvem-se ainda os suspiros de prazer da Lua, no seu banho esquivo, naquela noite em que o mundo adormeceu...






(Origem da foto da Lua: Internet)