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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MELANCOLICAMENTE AS MIMOSAS FLORIRAM...



Naquele domingo,

a chuva molhava

a paisagem...



Melancolicamente,

as mimosas floriram

colorindo a

tempestade

medonha

que fustigava

os seus ramos...


E eu,

enternecida,

deixei-me embalar

pelo vento

salpicado de

pequeninas flores

amarelas...


© Josefina Maller



terça-feira, 4 de maio de 2010

A MORTE DO LOBO...



O Lobo, lindo, de pelagem cinzenta e olhar profundo, solitário e triste, cabeça baixa, caminha, cambaleando, pisando a folhagem, na minha direcção.


Os seus olhos tristes, feridos de morte, olham-me, com desespero.

Eu sei, ele sabe, a morte está perto.

De súbito, solta um longo e doloroso uivo, que soou em toda a floresta como uma despedida.

O Lobo estremeceu... Eu estremeci...

Conduzi-o até uma gruta, escondida entre abetos, e ali, no abrigo da folhagem, exalou o último suspiro, nos meus braços, que o abraçaram fortemente...

– Vai, Lobo, vai...

Leva contigo o meu coração despedaçado e as minhas lágrimas...

A tua vida foi uma constante luta pela sobrevivência, no mundo onde manda o homem. Que mal fizeste tu para que ele te assassinasse?

Mal nenhum, eu sei.

Tu partiste, Lobo. Para onde?...

Como posso saber?...

Só sei que nesta floresta, na nossa floresta, permanecerá a tua honestidade de Lobo e a nossa amizade, em cada madrugada que vier...

Para sempre, Lobo...

Para sempre...

 
(Origem da imagem: Internet)