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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MENSAGEM DE UM PACIFISTA SÁBIO


A religião da não-violência não é só para os santos,
é também para os homens comuns.

É a lei da nossa espécie, assim como a violência
é a lei do bruto.

A dignidade do homem procura uma lei mais elevada:
a força do espírito...

Não-violência não é submissão benévola ou malévola.

Não-violência opõe toda a força da alma à vontade do
tirano!

Um único homem pode assim desafiar um império
e provocar a sua queda.

                                                   Mahatma Gandhi


Foto © Josefina Maller

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

DOLÊNCIA...




Vem, noite, vem...

Acolhe-me entre os teus braços,

Para que ninguém saiba que chorei...


Texto e Foto © Josefina Maller

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SONHOS...



Os sonhos são como flores esquecidas na planície

Que ao menor sopro do vento emurchecem

E nem o Sol, nem as brisas suaves, que sopram do Sul

Conseguem fazer renascê-las...

E a terra absorve a sua seiva, transformando-a no húmus

Que alimentará outras vidas.

E ali ficam os sonhos, enterrados na planície,

Esquecidos,

Perdidos para sempre...


Texto e Foto © Josefina Maller

terça-feira, 30 de novembro de 2010

DESACERTO...




Não sou,

Não sei,

Não vou,

Não quero...


Não quero que saibas.

Não quero que fales.

Não quero que grites.

Não quero que vejas.

Não quero que sintas.

Não quero...

Quero apenas que ouças

O que tenho para dizer...


© Josefina Maller (foto e texto)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

TEMPESTADE...



Solitariamente,
a noite chora
e chove lágrimas
e suspira dores
e grita ventanias...



As estrelas estremecem e,
com medo,
a Lua apaga-se...

© Josefina Maller

Web site desta imagem: magopatologico.wordpress.com

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ROSA DO DESERTO...



A manhã irrompeu ensanguentada,


cobrindo o deserto de flores escarlates.

Entre elas, colhi a mais bela,

para te oferecer,

a ti,

minha amada...

Oskar Kapriolo


in «A Hora do Lobo» © Josefina Maller (a aguardar publicação)

Web site da imagem: flores.fotosblogue.com

terça-feira, 16 de novembro de 2010

EXCERTO DO PRIMEIRO DISCURSO IMPRÓPRIO DE OSKAR KAPRIOLO


A vida ensinou-me que «ao mar o que é do mar, à terra o que é da terra, à floresta o que é da floresta. O homem rouba, a Natureza reage». Esta é uma lei natural inscrita nas entrelinhas do gigantesco livro cósmico, e que a falta de lucidez e a cegueira mental do homopredador nunca permitiram que lesse.


É chegada a hora de ouvir os apelos do planeta enfermo, que chora nas tempestades; que vomita nas erupções vulcânicas; que vocifera no uivo dos ventos; que estrebucha nos tremores de terra; que submerge nos maremotos; que arde nos lumes que a Natureza incendeia. Não serão suficientes estas advertências para vos aperceberdes do início da revolta do Ar, da Água, da Terra e do Fogo? Que cegueira é essa que vos ofusca para só verdes ourama à vossa frente? Atentai nas ameaças que nos atormentam: o abate desordenado de árvores; a erosão dos solos; o excesso de pastoreio, o abuso da caça e da pesca; a contaminação das águas; o extermínio de seres válidos, apenas pelo prazer ou pela conveniência inútil da exterminação.

Primeiro, o homem destrói tudo, indiscriminadamente, ao seu redor, em nome do malfadado progresso, do ilusório bem-estar e da falaciosa opulência. E a Natureza, desse modo violentada, ferida na delicadeza e na generosidade com que nos entrega as suas oferendas, reage, e ela própria provoca os seus estragos, através de tempestades, inundações, fogos, terramotos, maremotos. Depois, os indivíduos, verdadeiramente desesperados, decretam: «É proibido caçar, é proibido pescar, é proibido poluir... É preciso plantar árvores. É urgente proteger a Natureza…». E apressam-se a inventar slogans: «Ajudem o futuro: salvem as árvores!» «Por um planeta mais azul...!»

No entanto, é mais urgente aprender uma nova ética: a ética do ser, para isso a educação e o ensino devem centrar-se na formação desse ser, e não expressamente na acumulação de conhecimentos, muitos deles completamente inúteis. Instruir não é educar. Educar é preparar para a Liberdade. E Liberdade não é o mesmo que Libertinagem.

...

in «A HORA DO LOBO» © Josefina Maller (a aguardar publicação)

Web site da imagem: amigosdosanimaisnv.blogspot.com



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SORRINDO AO ENTARDECER...



As águas fugiam do meu ser

e sozinha fiquei

na margem do rio
sorrindo

ao entardecer...



       Josefina Maller

terça-feira, 2 de novembro de 2010

NOTAS PARA UMA REFLEXÃO SOBRE A INTERFERÊNCIA DO HOMEM NA VIDA DO PLANETA




NOTA PRIMEIRA


Depois de criado o Céu, e de separadas as águas da terra, e de a luz ter alternado com as trevas, e de as estrelas iluminarem o firmamento, e de o Sol e de a Lua distinguirem os dias das noites, vieram as plantas de todas as espécies, desde os mais frondosos embondeiros, à mais pequenina e frágil flor da planície, e nasceram então os verdes prados e os silenciosos bosques.

Vieram depois os animais marinhos, igualmente de todas as espécies, e coloriram as profundezas do mar.

Vieram as aves, aladas, e dominaram as alturas. Vieram todos os animais terrestres, desde os mais fortes, às mais delicadas borboletas.

E só depois de todas as criaturas terem experimentado, por uns breves tempos, uma vivência pacífica, num paraíso feito de harmoniosa beleza, surgiu, por fim, o homem, que não veio só. Com ele veio também aquela que, dali em diante, daria vida à vida – a mulher.

E este foi o início do caos.

© Josefina Maller

Origem da foto: http://www.meupapeldeparedegratis.net/fantasy/pages/lost-paradise.asp

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DEPOIS DAS NUVENS, FEBO…



As nuvens, espessas e apressadas, chegam e atravessam o ar, carregado de escuridão e energias, ocultando o Sol, no seu Olimpo.


Assobia o vento, colérico, entre o casario. Brilhos fugazes rasgam os céus e os trovões ecoam, aterradores. As águas, cativas, saturadas do seu destino, lançam-se do espaço, transformadas em cataratas de chuva que, num ápice, das ruas fazem rios.

Nos jardins, as árvores dançam a dança do vento passageiro, que vem e não fica. A folhagem, humilde e insegura, desgarra-se dos troncos e cai, juntando-se às pequenas e delicadas flores que, esmagadas pela força da chuva, se desfazem num húmus, fecundo e perfumado. Um cheiro a terra húmida levanta-se do chão e entranha-se na cidade.

Inicia-se a batalha dos deuses contra os titãs. Uns e outros poderosos. E o mais poderoso de todos, o Grande Espírito, desce dos céus para reinar sobre a Terra, numa fugaz tempestade, porque é preciso lembrar aos homens de que há uma Natureza mais forte do que o frágil poder deles.

Por detrás das vidraças, olhos assombrados espreitam o desconcerto da tormenta que se abate sobre a cidade.

O dia faz-se noite. Nas ruas desertas, correm águas revoltas e barrentas. O vento, que é invisível, mostra-se agora, distintamente, no torvelinho que desce a rua. Rasgando os céus, cintilam os lumes provocados pela colisão das nuvens que, espessas e apressadas, continuam a atravessar o ar, e troadas tenebrosas dilaceram a inquietude das almas, nelas se instalando um medo indizível.

Todavia, não temeria sempre o homem tudo o que desconhece ou não pode controlar?

...

Lentamente, quase imperceptivelmente, o Grande Espírito abandona a Terra, deixando os homens com a fraqueza deles.

Deuses e titãs regressam às infinitudes do Universo.
As águas esgotam-se, na sua nascente.
As nuvens, espessas e apressadas partem, levando-as o vento, passageiro, que veio e não ficou.
A cidade, ainda molhada, abre-se novamente para o dia.

Depois das nuvens, Febo…(1) particularmente fulgurante...

(1) Post nubila Phoebus – Depois das nuvens, Febo (o Sol); depois da tempestade a bonança (locução latina).

in «Os Dias de José... e outras Narrativas» (a aguardar publicação)

Texto e foto © Josefina Maller