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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

VERTIGEM...


É difícil viver, sonhar...
É difícil saciar a fome, matar a sede...
É difícil caminhar no escuro, mirar o horizonte...
É difícil carregar o peso do mundo, experimentar o vazio...
É difícil aceitar o inaceitável, compreender o incompreensível...
É difícil despertar para o caos e sentir o amanhecer...
© Josefina Maller   

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

OS AMANTES SEM DINHEIRO


Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a Lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e  olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MOMENTO...



Fascina-me o teu olhar,
o teu sorriso...

Fascina-me a brancura da tua pelagem
e essa entrega à neve do caminho...

Fascina-me o ser que és:
plácido e inabalável,

dissolvido neste mundo, que é o nosso,
teu e meu...

Embalado pelas sonâncias da noite,
submerso na luz da mesma Lua...

Tu e eu,
iguais nas emoções que partilhamos...

© Josefina Maller

ENTRE A FOLHAGEM, O MISTÉRIO...



Ouço o murmúrio da folhagem
que me traz boas novas

de secretos lugares que existem

algures no Universo...


Pressinto a voz que ventaneia
mundos harmoniosos,

onde todos os seres
sorvem o consolo das águas,

a melodia dos ventos,
e a força de uma lucidez eterna...


Sinto o mistério que se oculta

entre a folhagem...  

Sigo os caminhos enigmáticos
traçados pela luz que me traz o Sol...

E lá...
naquele infinito que os meus olhos alcançam,

as aves cantam um cântico sereno
que me inebria de Paz...

© Josefina Maller
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

MEMÓRIA DE UM TEMPO...



Gravado na pedra de uma fonte que não seca, o tempo observa...
E eu que por ali passei, não fui indiferente, nem à pedra, nem ao tempo, nem à fonte que outrora me ofereceu água generosamente...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

COMO FALAR SOBRE O FUTURO ÀS NOSSAS CRIANÇAS?



Como poderemos falar do Futuro às nossas crianças? Ou melhor, poderemos falar do Futuro às nossas crianças? Não? Sim? Talvez, se partirmos a palavra em três. Assim teremos Fu, que é o dono do restaurante Chinês, ali da esquina; o Tu (quem és tu?); e o Ró (que devemos pronunciar com acento) que é o nome da décima sétima letra do alfabeto grego, que corresponde ao nosso R, ou se quisermos ir pouco mais longe, Ró que representa, em física, a grandeza «resistividade».

Mas do que nos interessa falar é do senhor Fu, do Tu, e do Ró. Como é que três coisas tão diferentes podem ter ligação com o Futuro? Não têm. Então, qual o interesse de falar nisto? Não interessa nada, como diz aquela senhora que nós sabemos. Então porque estou para aqui com estas baldroquices?

Não estou. Parece que estou, mas não estou. É um truque que aprendi com os políticos. Eles parecem que estão... mas não estão. Parecem que fazem... mas não fazem... Ao contrário, desfazem... Parece que dizem «sim, meus queridos eleitores» mas o que querem mesmo dizer é «queriam... queriam...», parafraseando o grande Jô Soares, aquele que faz rir com graça, aquele que faz graça com inteligência, aquele que com inteligência faz humor, sem precisar de recorrer a ordinarices, como muitos que eu cá sei. Só não sei é como ainda há quem ria dessas ordinarices!

Acho que me desviei das minhas intenções primeiras. Mas quais eram as minhas intenções primeiras? Ah! Sim, dissertar sobre o senhor Fu, o Tu, e o grego Ró (entre nós Erre)! E se de repente não me apetecer dissertar? Não disserto. Esta também é uma atitude que aprendi com os políticos. Por exemplo, os políticos prometem tudo durante as campanhas eleitorais, e depois de eleitos... não lhes apetece cumprir as promessas, não cumprem.

Tão simples quanto isto. E quem os obriga? Ninguém tem essa coragem. Ai de quem tiver! Aí vai papel que não é assinado. Aí vai obra que empanca nas gavetas das secretárias dos gabinetes de quem pode, quer e manda. Aí vai perseguição por coisa nenhuma. É o tens coragem de obrigar um político a cumprir o prometido durante as campanhas eleitorais! O que pensam? Um político não é eleito (salvo raras excepções, mas estes não são políticos, são Homens, com H)... mas eu dizia que um político não é eleito para resolver os problemas de uma autarquia ou da nação! Não! Isso é o que diz o papel. E uma coisa é o que diz o papel e outra coisa é o que o político quer. E quem o impede? Nenhum poder é maior do que o Poder!

Bem, quanto ao senhor Fu, é boa pessoa. Tu, dependendo de quem és tu, também és boa pessoa. O erre, coitado! Errar é humano, dizem. Será? Podemos tentar abordar este assunto, numa outra ocasião. Mas... e então quanto ao Futuro? Querem saber? Nunca fui ao futuro. Não sei nada do Futuro.
Josefina Maller

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SE ALGUÉM...


«Se alguém se sente incomodado com a tua presença, é porque conhece o teu brilho, sabe da tua força, inveja o teu carácter e teme que os outros vejam o quanto tu és melhor, quanto a tua alma é mais evoluída.
Não é a aparência, é a essência. Não é o dinheiro, é a educação. Não é a roupa, é a atitude!

A ignorância gera a inveja, que é uma confissão de inferioridade.» (Cristina Franco)

PASSEIO À BEIRA DE UM MAR SUSSURRANTE...


Por aqui deixei meus passos na areia molhada...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

TARDE AMENA...



As chávenas de café continuam a roçar os pires, e o murmúrio das vozes começa a embutir-me os pensamentos. Irei até ao jardim, espairecer os sentidos...

...

O colorido dos canteiros enternece-me.

O aroma, que das pequeninas flores se desprendem, devolve-me a razão.

A tarde continua amena. No entanto, apesar do sol, apesar do jardim, apesar do aroma das flores, hoje, nada consegue fazer-me descer da nuvem onde me refugiei.

© Josefina Maller

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

AO DESPONTAR O DIA...



Ao despontar do dia, a melhor oração consiste em pedirmos a aventura de não perder
nenhum dos seus instantes. (John Ruskin)